Federico Baudelaire - Viagens IN Sanas pelo paraíso das Metrópolis


26/01/2007


se não fores como florbela não serás como ninguém - artur gomes

Escrito por Federico Baudelaire às 09h39
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"Eu quero amar, amar perdidamente
Amar só por amar. aqui... além...
Mais este e aquele, o outro e toda a gente
Amar! Amar! E não amar ninguém!"

FLORBELA ESPANCA

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Ana Luisa: FlorBela

um poeta já te cantou em verso
eu quero te cantar em prosa
federico Baudelaire

nas Flores do Mal
ou do Bem-te-Quer
desfrauda bandeira qualquer
despetala o cravo e a rosa
a folha do couve-flor
profeta do santo daime
palhaço de sacristia
quero te ver em romaria
em busca do meu amor

federico baudelaire
http://federicobaudelaire.zip.net
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=4962741

http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=26988876

Escrito por Federico Baudelaire às 09h38
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25/01/2007


Em janeiro nas livrarias:
RIMBAUD NA ÁFRICA - Os últimos anos de um poeta no exílio

de Charles Nicholl

(Editora Nova Fronteira)

 "Quero ser poeta e trabalho para tornar-me vidente: Você não compreenderá nada e eu quase que não saberia explicá-lo. Trata-se de chegar ao desconhecido através do desregramento de todos os sentidos. Os sofrimentos são enormes, mas é preciso ser forte, ter nascido poeta, e eu me reconheci poeta. Não é de modo algum culpa minha. É errado dizer: Eu penso: dever-se-ia dizer: sou pensado. — Perdão pelo jogo de palavras.
    Eu é um outro."

Aos 25 anos, Arthur Rimbaud – o autor maldito de Uma estação no inferno, o pioneiro da poesia moderna, o amante de Paul Verlaine, o ídolo de Bob Dylan e Jim Morrison – abandonou de vez a literatura e a fama e partiu para uma viagem à África, onde sobreviveu durante 11 anos como comerciante, explorador e contrabandista de armas, e de onde só saiu para morrer, em Marselha, em 1891, mutilado e infeliz. Em Rimbaud na África, o premiado escritor Charles Nicholl faz um levantamento minucioso dessa etapa pouco conhecida da vida de Rimbaud, que interpreta à luz de seu verso mais célebre: “Je est un autre”. Segundo Nicholl, é em busca dessa “outra pessoa” que o poeta empreende sua fascinante e trágica jornada ao fundo da noite.

Nicholl não escreve uma biografia convencional, ainda que apresente em detalhes toda a vida de Rimbaud, desde a fase do menino-prodígio que escrevia versos em latim na Charleville natal, onde nasceu em 1854, passando pelo rumoroso envolvimento homossexual, ainda adolescente, com Verlaine, que largou a família para ficar com ele – e, após violentas crises de ciúme, foi dispensado. Num texto de refinada qualidade literária, Rimbaud na África combina relato biográfico e livro de viagem, eliminado a fronteira entre os dois gêneros para aproximar o leitor da envolvente missão de decifrar o enigma Rimbaud, desvendando o ser humano por trás do mito.

Rejeitando a poesia como passatempo da adolescência, Rimbaud chegou no porto de Aden em 1880, febril, movido por um angustiado impulso de auto-descobrimento e pelo espírito de aventura. Passou os 11 anos seguintes tentando apagar seu passado boêmio, perambulando entre a Etiópia e o Egito, comprando e vendendo café, peles, armas e até mesmo, segundo algumas fontes, escravos. A saúde frágil não impediu que ele fizesse marchas de dezenas de quilômetros comandando caravanas de mercadorias por regiões perigosas da África, nem que explorasse novos territórios e travasse contato com novos povos – a ponto de seu nome ser citado pela Sociedade Geográfica Francesa como especialista em África Oriental.

Como a geração beat que indiretamente influenciou, o Rimbaud descrito por Charles Nicholl está sempre com o pé na estrada, em fuga, ou em busca de alguma coisa – não só fisicamente, mas sobretudo psicologicamente. O acúmulo de experiências radicais, contudo, não representa em momento algum a conquista da felicidade, ao contrário: o destino final dessa viagem é uma lenta agonia de meses, com a perna direita amputada - desenlace do que pode ser entendido como um longo suicídio.

Baseando sua pesquisa em documentos históricos inéditos e na vasta correspondência de Rimbaud – nas cartas enviadas da África, ele jamais fala sobre literatura, apenas sobre dinheiro e comércio - Charles Nicholl constrói um perfil fascinante das duas vidas de Arthur Rimbaud: a do poeta e a do aventureiro em que ele se transformou. Um e outro vivendo sempre no limite da existência.

***

Charles Nicholl é historiador e autor de nove livros, incluindo os premiados Leonardo Da Vinci – Flights of the mind e The Reckoning – The murder of Christopher Marlowe.

 

Escrito por Federico Baudelaire às 10h00
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